Equipe da Universidade de Tel Aviv instalando detectores de múons na Cisterna de Jeremias.

Uma inovação tecnológica liderada pela Universidade de Tel Aviv (TAU) está mudando as regras do jogo na arqueologia. Cientistas israelenses demonstraram como o uso de múons — partículas elementares geradas por raios cósmicos — pode ser usado para “enxergar” através da rocha sólida e localizar túneis, cisternas e vazios ocultos sem precisar mover uma única pá de terra.

Como funciona a “Radiografia Cósmica”? Os múons são como elétrons, mas 207 vezes mais massivos. Eles são criados na atmosfera e atingem o solo a uma taxa constante, penetrando até 100 metros de profundidade. O Prof. Erez Etzion explica que o processo é semelhante a um raio-X: o detector posicionado no subsolo captura a trajetória dessas partículas. Onde há um vazio (como uma caverna ou túnel), os múons passam com mais facilidade, criando uma “imagem” do que está escondido sob a rocha.

Teste de Sucesso na Cidade de Davi O método foi testado na Cisterna de Jeremias, no sítio arqueológico da Cidade de Davi, em Jerusalém. Ao combinar os dados dos detectores com varreduras LiDAR e Inteligência Artificial, os pesquisadores conseguiram mapear anomalias estruturais com precisão milimétrica.

“Nas colinas da Judeia, o solo assemelha-se a um queijo suíço cheio de espaços subterrâneos usados para armazenamento ou habitação. Agora, podemos localizar esses espaços com antecedência”, afirma o Prof. Oded Lipschits.

"Cientistas instalando detectores de partículas cósmicas na Cidade de Davi, em Jerusalém."

O Futuro: IA e Imagens 3D O próximo passo do projeto, que conta com a colaboração da Rafael Advanced Defense Systems, é miniaturizar os detectores e usar IA para processar os vastos dados gerados, criando mapas 3D completos de sítios arqueológicos como Tel Azekah. Esta convergência entre física quântica e história antiga promete revelar segredos bíblicos que permaneceram intocados por milênios.

Texto original

TAU UNIVERSIDADE DE TEL AVIV