Tomorrow.io capta US$ 175 milhões e se torna unicórnio da IA

O Novo Unicórnio da Tecnologia Espacial A Tomorrow.io, empresa fundada por veteranos de elite das Forças de Defesa de Israel (IDF), acaba de atingir uma avaliação superior a US$ 1 bilhão. Com um novo aporte de US$ 175 milhões, a empresa foca agora na implantação da DeepSky, uma constelação de satélites de última geração que utiliza Inteligência Artificial para preencher lacunas críticas nas previsões climáticas globais.

Satélite da rede DeepSky da Tomorrow.io em órbita

Por que isso é urgente? Atualmente, a previsão do tempo global depende de poucos satélites governamentais que estão chegando ao fim de sua vida útil. A Tomorrow.io está construindo uma solução privada para evitar um “apagão” de dados climáticos.

  • Tamanho importa: Enquanto os satélites antigos eram do tamanho de caixas, os novos satélites DeepSky terão o tamanho de um carro, equipados com sensores ultrassensíveis.
  • Volume de Dados: A empresa já gera cerca de três vezes mais dados atmosféricos do que todo o resto do setor combinado.

De Israel para o Mundo Fundada em 2016 (como ClimaCell) por Shimon Elkabetz, Rei Goffer e Itai Zlotnik, a empresa mantém seu centro de desenvolvimento em Tel Aviv. “Gostamos de nos autodenominar a SpaceX da tecnologia meteorológica”, afirma Goffer, destacando a transição da infraestrutura governamental para serviços privados de alta precisão.

Texto original CTECH

Repensando a Longevidade: Os Genes Importam Mais do que Pensávamos

Uma Nova Visão sobre o Envelhecimento Por décadas, acreditou-se que apenas 10% a 25% da nossa expectativa de vida era determinada pelos genes. No entanto, uma pesquisa revolucionária do Instituto Weizmann de Ciências, publicada na prestigiada revista Science, acaba de dobrar essa aposta. O estudo demonstra que a genética responde por cerca de 50% da variação na longevidade humana.

Como a Ciência “Errou” por Tanto Tempo? A equipe liderada por Ben Shenhar e pelo Prof. Uri Alon descobriu que estudos anteriores eram “mascarados” por mortes extrínsecas (acidentes, infecções e riscos ambientais). Ao utilizar modelos matemáticos e dados de gêmeos da Suécia e Dinamarca — incluindo gêmeos criados separadamente —, os pesquisadores conseguiram isolar o envelhecimento biológico dos fatores externos.

Principais Descobertas:

  • Hereditariedade Alta: A genética tem um papel muito mais forte do que o estilo de vida isolado sugeria anteriormente.
  • Demência vs. Coração: O risco de morte por demência até os 80 anos tem uma hereditariedade de 70%, superando o câncer e doenças cardíacas.
  • Incentivo Terapêutico: Se a genética é tão influente, abre-se uma porta gigante para criar terapias que “imitem” os genes da longevidade.

Texto original Instituto Weizmann de Ciências

O Prof. Reshef Tenne recebeu o Prêmio Israel de Pesquisa em Química.

Reconhecimento Máximo à Ciência de Israel O Ministro da Educação de Israel, Yoav Kisch, anunciou hoje o Prof. Reshef Tenne como o vencedor do prestigiado Prêmio Israel de 2026 na área de Pesquisa em Química e Engenharia Química. Membro do Departamento de Química Molecular do Instituto Weizmann de Ciências, Tenne é reconhecido como um dos pilares da revolução científica nos nanomateriais bidimensionais.

A Descoberta que Mudou a Indústria Em 1992, o Prof. Tenne protagonizou uma descoberta histórica: a existência de estruturas inorgânicas semelhantes a fulerenos e nanotubos inorgânicos. Essas partículas, feitas de dissulfeto de tungstênio, atuam como “rolamentos de esferas” em escala atômica.

Aplicações Práticas:

  • Lubrificação Industrial: Redução drástica de atrito em máquinas pesadas.
  • Medicina: Potencial para novas tecnologias de entrega de fármacos.
  • Aeroespacial: Reforço de polímeros para aeronaves e satélites mais leves e resistentes.

Um Legado de Excelência Nascido no Kibutz Usha, Tenne dedicou mais de 50 anos à ciência, tendo formado dezenas de pesquisadores que hoje lideram o setor em Israel e no mundo. O prêmio será entregue formalmente durante as celebrações do Dia da Independência de Israel.

Texto original Instituto Weizmann de Ciências,

O cientista israelense Prof. Reshef Tenne, vencedor do Prêmio Israel 2026 de Química.

Foto: Divulgação / Instituto Weizmann de Ciências

4 Inovações de IA do Instituto Zimin e do Technion que Estão Mudando a Medicina

O Impacto da IA no Instituto Zimin O Instituto Zimin para Soluções de IA em Saúde, uma parceria entre a Fundação Zimin e o Technion, está na vanguarda da medicina moderna. O instituto apoia pesquisas que transformam algoritmos complexos em soluções práticas para salvar vidas. Conheça quatro tecnologias que prometem revolucionar o atendimento ao paciente:

1. Planejamento de Tratamento contra o Câncer (Prof. Ron Kimmel)

Escolher a terapia certa (quimio ou imunoterapia) é um desafio. A equipe do Prof. Kimmel desenvolveu uma IA que analisa lâminas de biópsia comuns para prever como cada paciente responderá ao tratamento. Isso torna o cuidado personalizado mais rápido e acessível, evitando tratamentos desnecessários e caros.

2. Diagnóstico Molecular por Imagem (Prof. Yonatan Savir)

O Prof. Savir utiliza a “multiômica” para prever marcadores moleculares complexos apenas analisando imagens digitais de biópsias. A tecnologia já mostra alta precisão na detecção de doenças inflamatórias crônicas e no prognóstico do câncer, agilizando exames que antes demoravam semanas.

3. Ressonância Magnética sem Pausa Respiratória (Prof. Moti Freiman)

Muitos pacientes (crianças, idosos ou pessoas com problemas respiratórios) sofrem para prender a respiração durante uma RM cardíaca. A solução MBSS-T1 usa IA para corrigir o movimento da respiração em tempo real, gerando imagens nítidas sem que o paciente precise parar de respirar.

4. Detecção de Arritmia via Smartwatch (Profª. Yael Yaniv)

A fibrilação atrial é silenciosa e perigosa. A equipe da Profª. Yaniv desenvolveu algoritmos que detectam sinais sutis de arritmia usando apenas dados de smartwatches comuns. Isso permite um diagnóstico precoce fora do hospital, prevenindo complicações graves como o AVC.

Interface de Inteligência Artificial aplicada à saúde no Instituto Zimin do Technion, Israel.

Nota do Blog

Análise do Blog: Embora o Brasil e Portugal vivam realidades distintas na saúde, as inovações do Technion respondem a necessidades comuns. No Brasil, a IA pode democratizar diagnósticos em regiões remotas, enquanto em Portugal pode aliviar a sobrecarga do SNS no monitoramento de idosos.

Texto original

American Technion Society

A EndoCure busca solucionar a crise de diagnósticos errôneos de câncer e endometriose

A Crise dos Diagnósticos Errôneos Atualmente, cerca de 75% das pacientes com endometriose recebem diagnósticos incorretos, enfrentando anos de dor e cirurgias desnecessárias. O problema reside nas limitações das tecnologias atuais, como o ultrassom manual e a ressonância magnética, que muitas vezes não detectam lesões profundas ou pequenos tumores.

A Solução: Revealan da EndoCure Fundada em 2023 pela Dra. Hadas Ziso e pelo renomado Prof. Moshe Shoham. O Prof. Moshe Shoham (cofundador) é um renomado especialista mundial em robótica médica e professor emérito da Faculdade de Engenharia Mecânica do Technion.(fundador da Mazor Robotics), a startup israelense EndoCure desenvolveu a Revealan. Trata-se de uma plataforma robótica de ultrassom que utiliza Inteligência Artificial para produzir imagens 3D com uma densidade 10 vezes maior que a de uma ressonância magnética convencional.

Plataforma robótica de ultrassom Revealan da startup israelense EndoCure para diagnóstico de câncer e endometriose.

Crédito da imagem: Cortesia da EndoCure (Revealan Platform).

Diferenciais da Tecnologia:

  • Independente do Operador: Elimina a falha humana no manuseio do ultrassom.
  • Alta Precisão: Detecta achados sutis que hoje passam despercebidos.
  • Escalabilidade: É compatível com aparelhos de ultrassom já existentes (plug-and-play).
  • Fase Clínica: A tecnologia já está sendo testada no Centro Médico Bnai Zion para o monitoramento de câncer de bexiga.

O Futuro da Medicina de Precisão Com um investimento de US$ 2,7 milhões e sediada em Israel, a EndoCure busca transformar o ultrassom de uma ferramenta subjetiva em uma plataforma global de diagnóstico confiável, reduzindo custos hospitalares e, principalmente, salvando vidas através da detecção precoce.

Texto original CTECH

Site EndoCure https://endocure.tech

Nova combinação de três fármacos consegue travar o avanço do câncer de pancreas


Um estudo recente publicado na prestigiada revista Nature e divulgado pela Live Science trouxe uma nova esperança para o tratamento de um dos tumores mais agressivos e difíceis de combater: o câncer do pâncreas. Investigadores descobriram que a utilização de uma “terapia tripla” é capaz de paralisar o crescimento do tumor ao atacar as suas fontes de sobrevivência de três ângulos diferentes.

Resultados Promissores

Nos testes realizados em modelos animais (ratos), os resultados foram impressionantes. O tratamento não só travou o crescimento dos tumores existentes, como também impediu a formação de metástases. Os cientistas acreditam que esta sinergia entre os medicamentos é a chave para transformar um diagnóstico que antes era visto como uma sentença imediata numa condição tratável.

Próximos Passos

Embora o estudo ainda esteja em fase laboratorial, a equipe de investigação já prepara os protocolos para os primeiros ensaios clínicos em humanos. O objetivo é validar se a segurança e a eficácia observadas em laboratório se repetem nos pacientes, o que poderá revolucionar a oncologia moderna nos próximos anos.

Nota do Blog: “Este avanço reforça a importância da colaboração científica internacional. No Israel Inovações, acompanhamos de perto como a ciência mundial está usando a tecnologia para resolver os maiores enigmas da medicina.”

Representação microscópica de células de câncer de pâncreas sendo bloqueadas por tratamento médico.

Texto original LiveScience

Beewise: A Startup de Israel que está Salvando as Abelhas com Inteligência Artificial

O Problema: O colapso das colmeias ameaça a agricultura mundial. O manejo tradicional não consegue responder rápido o suficiente a pragas e mudanças climáticas.

A Solução (BeeHome): A Beewise desenvolveu uma colmeia climatizada e automatizada. Através de sensores e IA, a estrutura:

. O Algoritmo de Visão Computacional: O coração da BeeHome não é apenas a caixa, mas o software. A startup desenvolveu uma IA de visão computacional que analisa o comportamento de cada abelha em milissegundos. Ela consegue detectar a presença do ácaro Varroa destructor (o maior inimigo das abelhas) muito antes de um apicultor humano notar, permitindo um tratamento localizado sem afetar o mel de toda a colmeia.

2. A Robótica de Precisão: Dentro da estrutura, um braço robótico altamente preciso realiza tarefas delicadas. Ele é capaz de administrar medicamentos com precisão de microlitros e regular a temperatura interna com uma margem de erro de apenas 0,1°C. Isso simula o ambiente perfeito para a rainha, aumentando a produtividade da colônia em até 60%.

3. Dados na Nuvem (Big Data): A Beewise não salva apenas uma colmeia; ela coleta dados globais. Todas as unidades BeeHome estão conectadas, criando uma rede de inteligência que alerta outros agricultores sobre padrões de doenças que estão se espalhando por uma região, funcionando como um “Waze” para a saúde das abelhas.

Site oficial beewise.ag

Nota do Blog

Reconhecimento Global: Uma das Melhores Invenções da TIME

O impacto da tecnologia israelense no campo não passou despercebido pela crítica internacional. A Beewise foi destaque na prestigiada lista da Revista TIME como uma das “Melhores Invenções do Ano” (vencendo tanto em 2020 quanto novamente com o modelo BeeHome 4 em 2023).

A publicação destacou que, em um mundo onde quase 40% das colônias colapsam anualmente devido a doenças e mudanças climáticas, a solução da Beewise consegue reduzir essa mortalidade para menos de 10%. Ao unir inteligência artificial com a preservação da biodiversidade, Israel não está apenas criando uma startup de sucesso, mas garantindo a segurança alimentar das próximas gerações.

"A tecnologia da Beewise utiliza IA para monitorar a saúde das colônias em tempo real. (Foto: Reprodução/Beewise)"

O Salto Quântico do Technion: O Microscópio que “Filma” a Luz

O Que é a Descoberta? Pesquisadores do Technion (Instituto de Tecnologia de Israel) desenvolveram um microscópio eletrônico quântico único no mundo. Enquanto microscópios comuns apenas “tiram fotos” de objetos estáticos, a equipe do Prof. Ido Kaminer conseguiu capturar o movimento da luz enquanto ela interage com materiais em escalas nanométricas.

Por Que Isso é Revolucionário? A grande barreira da ciência sempre foi o fato de que a luz se move rápido demais para ser observada em detalhes dentro de chips ou células. O sistema do Technion utiliza pulsos de laser ultrarrápidos para “excitar” os elétrons, permitindo que os cientistas vejam como a energia se comporta dentro de novos tipos de semicondutores.

A Conexão com a Tecnologia Global: Esta descoberta não fica presa nos muros de Haifa. Ela tem impacto direto no desenvolvimento de:

  • Computação Quântica: Entender como a luz se move é a chave para criar computadores milhões de vezes mais rápidos que os atuais.
  • Telecomunicações 6G: A busca por internet ultrarrápida depende da manipulação da luz em microchips.

Texto original Technion Instituto de Tecnologia de Israel

Microscópio eletrônico quântico do Prof. Ido Kaminer no Technion capturando o movimento da luz em nanoescala.

Persistência Bacteriana: A Descoberta da Universidade Hebraica que Explica a Falha Terapêutica

Um estudo revolucionário liderado pela Profª Nathalie Balaban e pelo doutorando Adi Rotem, da Universidade Hebraica de Jerusalém, acaba de decifrar o mistério das infecções recorrentes. A pesquisa revela que as bactérias não sobrevivem aos antibióticos apenas pela dormência clássica, mas através de dois modos fisiológicos distintos e opostos.

"Micrografia conceitual mostrando dois estados bacterianos distintos sob estresse: um em dormência estruturada e outro com membrana celular irregular, representando a descoberta da Universidade Hebraica."

Além da Dormência: Os Dois Modos de Sobrevivência

Durante anos, a medicina acreditou que as bactérias sobreviventes apenas “dormiam” para evitar a ação dos fármacos. A HUJI provou que existem dois arquétipos de parada de crescimento:

  1. Parada de Crescimento Regulada (O Escudo): Um estado de dormência controlado e estável. A célula entra em modo de proteção intencional, tornando-se invulnerável a antibióticos que dependem da replicação celular.
  2. Parada de Crescimento Interrompida (A Falha): Este é o “ponto cego” recém-descoberto. É um estado de mau funcionamento desregulado. A bactéria não está protegida, ela está “quebrada”, apresentando uma homeostase de membrana comprometida.

Implicações Clínicas: O Fim das Infecções Recorrentes?

A distinção é vital para a prática médica: enquanto o primeiro grupo exige estratégias para “despertar” a célula, o segundo grupo (interrompido) possui uma vulnerabilidade física na membrana celular que pode ser o novo alvo terapêutico.

Essa descoberta explica por que experimentos anteriores apresentavam resultados contraditórios e abre caminho para terapias personalizadas contra a persistência. Em vez de apenas aumentar a dose do antibiótico, a medicina do futuro poderá combinar fármacos que alvejam especificamente a fragilidade da membrana dessas células disfuncionais.

Fonte: Dados originais da Universidade Hebraica de Jerusalém (HUJI), baseados nas pesquisas de transcritômica e microcalorimetria da Profª Nathalie Balaban.

Texto original Universidade Hebraica de Jerusalem

Dica de Leitura Relacionada:

Se você se interessa pelos mecanismos fundamentais da vida e pela ciência de vanguarda em Israel, não deixe de ler nossa análise sobre o trabalho do Prof. Jacob Hanna no Instituto Weizmann.

Enquanto a Profª. Balaban desvenda como as bactérias “pausam” a vida para sobreviver, o Prof. Hanna utiliza a engenharia de incubadoras para “resetar” e reprogramar células adultas, abrindo caminho para a nova era da medicina regenerativa.

👉 [Leia aqui: Jacob Hanna e a Engenharia da Vida – O Avanço das Incubadoras em Israel]

VTA e Resposta Imunológica: A Neurobiologia da Antecipação Positiva na Eficácia Vacinal

A Conexão VTA-Imunidade Pesquisadores de instituições líderes em Israel (incluindo a Profª Talma Hendler e a Profª Asya Rolls) identificaram um mecanismo neurobiológico mensurável que conecta o sistema de recompensa do cérebro à eficácia do sistema imunológico. Utilizando Neurofeedback por fMRI, o estudo demonstrou que a ativação voluntária da Área Tegmental Ventral (VTA) correlaciona-se diretamente com o aumento na produção de anticorpos pós-vacinação contra Hepatite B.

Infográfico científico mostrando a Área Tegmental Ventral (VTA) do cérebro e sua conexão biológica com a resposta imunológica vacinal, representando o estudo da Universidade de Tel Aviv.

Diferenciação Anatômica e Funcional O estudo destaca que este efeito é específico: não foi observado no hipocampo ou em outras áreas de recompensa ligadas apenas ao prazer passivo. O diferencial está na Antecipação Positiva — um estado mental de entusiasmo e expectativa ativa — que mantém a VTA disparando estímulos que o corpo traduz em robustez imunológica.

Implicações na Prática Médica Não se trata de substituir terapias, mas de entender o cérebro como um agente ativo na recuperação e proteção do organismo. Para o clínico, isso abre portas para terapias complementares não invasivas em imunoterapia e no tratamento de patologias crônicas, aproveitando o “efeito placebo” não como uma ilusão, mas como uma ferramenta biológica de precisão.

Fonte: Estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv (TAU) e do Centro Médico de Tel Aviv (Ichilov), publicado em colaboração com especialistas em neuroimunologia.

Texto Original TAU Universidade de Tel Aviv

Células-tronco e a Criação de Modelos Embrionários Sintéticos em Israel

A startup Renewal Bio, sediada no Instituto Weizmann de Ciências e liderada pelo Professor Jacob Hanna, desenvolveu uma tecnologia capaz de cultivar modelos de embriões sintéticos a partir de células-tronco, sem o uso de esperma, óvulos ou fecundação tradicional.

O Processo Tecnológico

O diferencial que coloca o laboratório de Jacob Hanna no Instituto Weizmann anos à frente de outros centros é a transição da biologia teórica para a engenharia biomédica de precisão. O processo não depende de fertilização, mas de uma sequência rigorosa de reprogramação e incubação.

  • 1. Reprogramação Celular (O Legado de Yamanaka)
  • Tudo começa com a técnica de Células-tronco Pluripotentes Induzidas (iPS). Inspirado no Prêmio Nobel de Shinya Yamanaka, Hanna utiliza simples células epiteliais (pedaços de pele). Através da introdução de fatores de transcrição específicos, essas células adultas têm o seu “relógio biológico” zerado, retornando ao estado de pluripotência total — a capacidade de se transformarem em qualquer tecido do corpo humano.
  • 2. A Incubadora de Fluxo Eletrônico (O “Útero Mecânico”)
  • O maior gargalo da ciência era manter essas células vivas e organizadas após o quinto dia. Hanna resolveu isso criando uma incubadora de design próprio.
  • O Diferencial: Diferente de uma placa de Petri estática, este sistema mantém os modelos em frascos de vidro que giram continuamente.
  • Dinâmica de Fluidos: Este movimento garante que os modelos não grudem nas paredes e recebam uma oxigenação e nutrição hidrodinâmica que simula o fluxo sanguíneo materno. Sem essa ventilação e pressão controladas, a complexidade orgânica (como o início de um batimento cardíaco ou dobras cerebrais) seria impossível.
  • 3. Autorganização sem Extraembrionários
  • Um ponto técnico crucial para a ética e para a ciência: Hanna manipula as células para que elas formem apenas o “projeto” do corpo (embrião), mas sem os tecidos que permitiriam a implantação (placenta e saco vitelino). Isso as define tecnicamente como modelos sintéticos, ou “unidades de terapia”, permitindo que a pesquisa avance na criação de órgãos para transplante sem os dilemas biológicos de um embrião natural.

Aplicações na Medicina Regenerativa

Cientista em laboratório analisando modelo sintético de tecidos com coração pulsante e sistema circulatório Renewal Bio

O objetivo central da Renewal Bio é utilizar esses modelos tridimensionais para superar as limitações das culturas de células comuns. A pesquisa busca:

  • Produção de tecidos para transplante: Criar fontes de células sanguíneas, tecidos pancreáticos ou renais que sejam compatíveis com o paciente.
  • Estudo do desenvolvimento: Observar em tempo real como os órgãos se formam para entender falhas genéticas e doenças congênitas.

Diferenciação Bioética

Os modelos são tecnicamente classificados como sintéticos porque derivam exclusivamente de células-tronco. Como não possuem os tecidos necessários para a implantação uterina (formação de placenta), eles não têm o potencial de se transformar em um organismo completo, sendo destinados estritamente para a extração de tecidos terapêuticos e pesquisa científica.

Texto original CTECH

O Desafio da Deep Tech: Por que Israel é o líder global em investimentos de longo prazo

Uma Mentalidade Diferente No recente MNC Summit, ficou claro que investir em tecnologia de ponta não é para quem busca lucro rápido. Diferente de aplicativos comuns (SaaS), a Deep Tech exige paciência e o que os especialistas chamam de “tradução”: a capacidade de transformar ciência pura em algo que a indústria consiga comprar.

As Novas Regras do Jogo:

  • Redefinição de Risco: Esqueça a velocidade. Na tecnologia de ponta, o risco é técnico e regulatório. O progresso é lento no início, mas a barreira contra concorrentes se torna quase intransponível com o tempo.
  • A Armadilha do Cliente Único: Um erro comum é a startup se tornar “refém” de um único grande cliente, virando uma consultoria personalizada em vez de uma empresa escalável. O investidor inteligente busca soluções que resolvam problemas de toda uma indústria.
  • O Fundador “Cientista-Gestor”: Em Israel, o investidor aposta no fundador que domina a ciência, mas que é obcecado pelo problema do cliente, e não apenas pela sua própria invenção.

O Diferencial de Israel O ecossistema israelense produz propriedade intelectual que define categorias globais. É onde a ciência fundamental encontra as limitações do mundo real, criando soluções sólidas em setores com altas barreiras de entrada, como defesa, biotecnologia e energia.

Texto original STARTUP NATION CENTRAL

Lições de Israel: Como transformar ciência de ponta em negócios de bilhões

O Modelo Israelense Israel consolidou-se como o segundo maior polo de investimentos em Deep Tech (tecnologia de ponta) do mundo. Com mais de 1.000 startups na interseção entre ciência avançada e mercado, o país aprendeu que ter uma tecnologia revolucionária não basta; é preciso saber vendê-la.

Lian Michelson, da Marvelous Ventures, destaca que o segredo de Israel é a capacidade de levar a ideia do laboratório para o mercado com um foco incansável na prática. Confira as três lições fundamentais para fundadores e inovadores:

1. O Cliente vem antes da perfeição Muitos cientistas passam anos isolados aperfeiçoando um produto. O conselho de Michelson é o oposto: converse com clientes desde o primeiro dia. Entender o que o mercado valoriza ajuda a direcionar a pesquisa para soluções reais, evitando desperdício de tempo com tecnologias que ninguém quer comprar.

2. Reduza o risco para quem compra Empresas falham quando o cliente não se sente seguro para adotar algo novo. Você precisa saber o que o seu comprador exige: São dados de laboratório? Testes de campo? Aprovação regulatória? Entregar essa prova de segurança é o que separa um protótipo de um produto comercial.

3. Não seja refém de um único parceiro Trabalhar com um grande cliente é ótimo para começar, mas adaptar seu produto apenas para ele limita seu crescimento. O sucesso está em criar soluções que resolvam problemas de todo um setor, atraindo vários parceiros e garantindo que sua startup seja escalável.

Conclusão O sucesso em tecnologia não vem da obsessão pela ferramenta, mas da obsessão pelo problema. O ecossistema de Israel prova que a fluência comercial é tão vital para um fundador quanto o seu domínio técnico

Texto original STARTUP NATION CENTRAL

Escritório moderno com hologramas de gráficos financeiros e hélice de DNA sob a bandeira de Israel, simbolizando o mercado de tecnologia de ponta.

Pesquisa da Universidade de York revela: É possível “apagar” traumas usando sons durante o sono

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Pessoa dormindo com fones de ouvido e ondas sonoras neon interagindo com o cérebro, ilustrando a pesquisa de York.

A Técnica TMR O estudo utilizou uma técnica chamada Reativação Direcionada de Memória (TMR). Os pesquisadores da Universidade de York descobriram que, ao emitir sons específicos associados a certas memórias enquanto os voluntários estavam na fase de sono profundo, era possível interferir no processo de consolidação dessas lembranças.

O Experimento Os participantes aprenderam a associar pares de palavras a sons específicos. Durante o sono, a equipe tocava esses sons para “reativar” a memória. A surpresa veio ao notar que, dependendo da forma como o som era introduzido, o cérebro, em vez de reforçar a conexão, acabava por enfraquecê-la, tornando a memória mais difícil de ser acessada ao acordar.

Impacto no Futuro Embora ainda em estágio experimental, essa descoberta abre portas para tratamentos não invasivos de traumas e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). No futuro, em vez de medicamentos fortes, pacientes poderiam passar por sessões de sono monitorado para reduzir a carga emocional de eventos traumáticos.

Texto original Learning Memory

Decifrando a Escuta Cerebral: A Nova Proteína IA que Revela o que os Neurônios Estão “Ouvindo”

A neurociência acaba de ganhar um par de “ouvidos” ultra-sensíveis. Pesquisadores do Instituto Allen e do Campus Janelia (HHMI) desenvolveram o iGluSnFR4 (apelidado de “Sniffer”), uma proteína indicadora de glutamato que permite, pela primeira vez, registrar as mensagens recebidas pelas células cerebrais em tempo real.

O Desafio da Sinapse: Onde a Eletricidade vira Química Bilhões de neurônios se comunicam através de pulsos elétricos, mas esses sinais não saltam o espaço entre as células (a sinapse). Para atravessar, eles liberam o glutamato, o principal neurotransmissor do cérebro. Até hoje, as tecnologias conseguiam medir o disparo do neurônio (a saída), mas os sinais de entrada eram rápidos e fracos demais para serem capturados.

Visualização do sensor iGluSnFR4 detectando sinais de glutamato em células cerebrais.

iGluSnFR4: O “Microfone” Molecular A inovação publicada na revista Nature Methods utiliza uma proteína de engenharia que “brilha” ao detectar moléculas de glutamato. O sensor é tão potente que consegue registrar a liberação espontânea de vesículas contendo apenas 500 moléculas de neurotransmissor.

Segundo o Dr. Kaspar Podgorski, cientista sênior do Instituto Allen, essa ferramenta permite “ler o livro com as palavras na ordem certa”, entendendo como um neurônio processa milhares de sinais recebidos para tomar uma decisão.

Impacto na Medicina de Precisão A sinalização desregulada de glutamato é o ponto central de doenças como Alzheimer, Esquizofrenia e Autismo. Com o iGluSnFR4, a indústria farmacêutica poderá:

  1. Testar medicamentos diretamente na atividade sináptica real.
  2. Mapear circuitos complexos de memória e emoção com precisão subcelular.
  3. Acelerar terapias para condições neurodegenerativas.

Instituições: Allen Institute for Brain Science & Janelia Research Campus (HHMI).

Publicação: Nature Methods, 2026.

Tecnologia: iGluSnFR4 (Glutamate Sensing).

DOI / Fonte Primária: https://doi.org/10.1038/s41592-023-02088-3

Decifrando o Genoma Viral: Como a IA “ENHAvir” Mapeou os Interruptores Ocultos do Herpes

A medicina genômica acaba de dar um salto significativo na compreensão da latência viral. Pesquisadores da Universidade Bar-Ilan (BIU), liderados pelo Prof. Meir Shamay e sua equipe no Laboratório Daniella Lee Casper, desenvolveram uma ferramenta de Processamento de Linguagem Natural (NLP) chamada ENHAvir, capaz de ler o DNA viral como se fosse um idioma complexo.

O Desafio dos Enhancers (Intensificadores) Na biologia molecular, os enhancers são elementos reguladores que ditam quando e com que intensidade um gene deve ser ativado. No caso dos herpesvírus (como o EBV, HSV-2 e citomegalovírus), esses interruptores são extremamente difíceis de localizar devido à densidade do genoma viral. Até então, o mapeamento exigia anos de experimentação laboratorial in vitro.

A Inovação: Aprendizado com Dados Escassos O diferencial técnico do estudo publicado na Nature Communications (2026) é a eficiência do algoritmo. O modelo ENHAvir foi treinado utilizando apenas seis sequências de enhancers conhecidas do herpesvírus associado ao sarcoma de Kaposi (KSHV). Com essa “gramática” mínima, a IA conseguiu prever com precisão os centros de controle em toda a família dos herpesvírus humanos.

As Repetições Terminais: O Painel de Controle A descoberta mais impactante revelada pela IA foi o papel das repetições terminais (sequências nas extremidades do genoma). O ENHAvir identificou que essas regiões funcionam como potentes hubs de amplificação, decidindo se o vírus permanecerá em estado de latência (dormente) ou entrará no ciclo lítico (replicação plena).

Representação digital de uma hélice de DNA com circuitos e luzes neon, simbolizando o uso de IA na medicina.

Intersecção com o Genoma Humano Surpreendentemente, a IA treinada em vírus também foi capaz de reconhecer padrões em genes humanos, especialmente envolvendo elementos Alu. Isso sugere uma coevolução regulatória, onde os vírus mimetizam a “linguagem” das nossas células para sequestrar a maquinaria celular de forma mais eficaz.

Azrieli Faculty of Medicine, Bar-Ilan University.

Nature Communications, Vol. 17, 2026

DOI 10.1038/s41467-025-66861-y

O “Gosto” do Câncer: Como a IA de Israel identifica tumores no sangue por US$ 10

O Prof. Hadar Ben-Yoavchefe do seuLaboratório de Nanobioeletrônica da BGU, Biomédica da Universidade Ben-Gurion, descreve sua invenção de forma curiosa: o sensor funciona como uma “língua eletrônica” que reconhece o “sabor” químico do câncer no plasma sanguíneo.

Diferente das colonoscopias, que são invasivas, a tecnologia OncoRedox analisa o “estado redox” (equilíbrio de oxidação) do corpo. Em estudos de prova de conceito, a precisão foi de 94%. O projeto, que levou mais de 10 anos para ser desenvolvido, contou com a expertise clínica do Prof. Gal Markel e parcerias com o Sheba Medical Center.

O dado de mercado: Enquanto testes de DNA fecal custam centenas de dólares, o custo de produção do OncoRedox é inferior a US$ 10, tornando o rastreamento em massa uma realidade possível para sistemas de saúde pública.

Texto original BEN GURION UNIVERSITY

Revolução no Trauma: Israel une Biotecnologia e Engenharia para Triplicar a Sobrevivência em Hemorragias Graves

A medicina de emergência está passando por uma transformação histórica liderada pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pelo Corpo Médico da IDF. Através de uma abordagem que une proteção celular e aplicação ultraveloz, pesquisadores israelenses desenvolveram um sistema que promete vencer a “corrida contra o relógio” em casos de trauma severo.

A Proteção Celular: O Papel da Proteína PKC-ε O avanço biológico foca na ativação da proteína PKC-ε logo após o início do sangramento. Em testes, essa técnica elevou a taxa de sobrevivência de 25% para 73%. O tratamento atua estabilizando as funções cardiovasculares e protegendo as mitocôndrias — as usinas de energia das células — evitando a falência múltipla de órgãos mesmo em cenários de perda sanguínea massiva.

A Inovação Prática: O Autoinjetor de TXA Para garantir que a ajuda chegue a tempo, a equipe desenvolveu um autoinjetor de Ácido Tranexâmico (TXA). O TXA é um medicamento vital para estabilizar coágulos, mas sua eficácia cai 10% a cada 15 minutos de atraso. O novo dispositivo permite:

  • Rapidez: Atinge níveis terapêuticos em menos de cinco minutos.
  • Uso Universal: Pode ser operado por qualquer pessoa, sem necessidade de treinamento médico, eliminando a lentidão do acesso intravenoso (IV) tradicional em ambientes caóticos.

Impacto para o Setor de Saúde Para gestores hospitalares, profissionais de resgate e a comunidade médica, essas inovações representam o futuro do atendimento pré-hospitalar. Ao transformar procedimentos complexos em intervenções simples e altamente eficazes, Israel leva a tecnologia de ponta do campo de batalha diretamente para o cotidiano civil, oferecendo uma nova chance de vida onde cada segundo é decisivo.

Fontes e Referências:Estudo sobre Proteína PKC-ε: Universidade Hebraica de Jerusalém / Scientific Reports.

Estudo sobre Autoinjetor de TXA: Hebrew University of Jerusalem / IDF Medical Corps (Setembro de 2025).

Google faz história em Israel com investimento bilionário em cibersegurança

O Google (Alphabet) acaba de consolidar sua confiança no ecossistema de inovação de Israel com a maior aquisição de sua história: a compra da startup de segurança em nuvem Wiz por US$ 32 bilhões. Este movimento não apenas quebra recordes financeiros, mas reafirma Israel como o epicentro global da cibersegurança.

A Wiz, fundada por ex-militares da elite de inteligência de Israel, tornou-se essencial para proteger dados em nuvem de grandes corporações mundiais. Com este investimento, o Google planeja fortalecer sua infraestrutura de nuvem e inteligência artificial, utilizando a tecnologia de ponta desenvolvida em Tel Aviv.

Além da aquisição, o Google continua impulsionando o talento local através de programas como o “AI for Energy”, que seleciona startups israelenses para acelerar soluções de energia limpa com inteligência artificial. Para o Brasil, o exemplo de Israel mostra como a parceria entre gigantes da tecnologia e startups locais pode transformar a economia de um país.

Texto original CETECH

Máquina de Startups: Relatório revela que 56% das empresas iniciantes em Israel fecham as portas

Um relatório recente do Departamento Central de Estatísticas de Israel (CBS), abrangendo o período de 2011 a 2024, revela a face desafiadora do ecossistema de inovação mais famoso do mundo. Das mais de 10 mil startups criadas no período, cerca de 5.740 já encerraram suas atividades, provando que nem mesmo o “Startup Nation” está imune ao fracasso.

Apesar da alta taxa de mortalidade, a resiliência é notável: cerca de 4.500 startups seguem operando, com um aumento médio anual de 2%. O setor continua sendo o grande motor econômico do país, pagando salários que chegam a ser o dobro da média nacional. Outro dado de destaque é o papel do governo: entre 2022 e 2024, a Autoridade de Inovação de Israel injetou mais de 2 bilhões de shekels no setor, priorizando áreas críticas como a de semicondutores.

O relatório reforça que, embora o caminho seja difícil, as empresas que sobrevivem e atingem alto crescimento (cerca de 14% do total) são as que sustentam a liderança tecnológica de Israel no cenário global.

Texto original CTECH