A neurociência acaba de ganhar um par de “ouvidos” ultra-sensíveis. Pesquisadores do Instituto Allen e do Campus Janelia (HHMI) desenvolveram o iGluSnFR4 (apelidado de “Sniffer”), uma proteína indicadora de glutamato que permite, pela primeira vez, registrar as mensagens recebidas pelas células cerebrais em tempo real.
O Desafio da Sinapse: Onde a Eletricidade vira Química Bilhões de neurônios se comunicam através de pulsos elétricos, mas esses sinais não saltam o espaço entre as células (a sinapse). Para atravessar, eles liberam o glutamato, o principal neurotransmissor do cérebro. Até hoje, as tecnologias conseguiam medir o disparo do neurônio (a saída), mas os sinais de entrada eram rápidos e fracos demais para serem capturados.

iGluSnFR4: O “Microfone” Molecular A inovação publicada na revista Nature Methods utiliza uma proteína de engenharia que “brilha” ao detectar moléculas de glutamato. O sensor é tão potente que consegue registrar a liberação espontânea de vesículas contendo apenas 500 moléculas de neurotransmissor.
Segundo o Dr. Kaspar Podgorski, cientista sênior do Instituto Allen, essa ferramenta permite “ler o livro com as palavras na ordem certa”, entendendo como um neurônio processa milhares de sinais recebidos para tomar uma decisão.
Impacto na Medicina de Precisão A sinalização desregulada de glutamato é o ponto central de doenças como Alzheimer, Esquizofrenia e Autismo. Com o iGluSnFR4, a indústria farmacêutica poderá:
- Testar medicamentos diretamente na atividade sináptica real.
- Mapear circuitos complexos de memória e emoção com precisão subcelular.
- Acelerar terapias para condições neurodegenerativas.
Instituições: Allen Institute for Brain Science & Janelia Research Campus (HHMI).
Publicação: Nature Methods, 2026.
Tecnologia: iGluSnFR4 (Glutamate Sensing).
DOI / Fonte Primária: https://doi.org/10.1038/s41592-023-02088-3