O que faz de Israel a “Nação Startup”? Para o professor Paul Gompers, da Harvard Business School, o sucesso não é por acaso. Em entrevista recente, o especialista destacou que, nos últimos 35 anos, nada menos que 70% do crescimento do PIB per capita de Israel veio do setor de tecnologia.
Mas, será que esse modelo pode ser copiado por outros países? Segundo Gompers, não é tão simples. O “manual de regras” israelense inclui fatores culturais profundos, como
- DNA de Imigrante e a Cultura de Risco
- Israel é um país formado majoritariamente por imigrantes de primeira ou segunda geração. Para o professor Gompers, esse é o “segredo da mágica”: imigrantes são, por natureza, pessoas dispostas a correr riscos e construir algo novo do nada. Esse histórico de vida cria uma resiliência cultural onde o medo de falhar é substituído pela necessidade de inovar. Em Israel, o fracasso em uma startup não é um fim, mas um aprendizado aceitável, pois faz parte do instinto de sobrevivência e reconstrução que define a população.
- O papel do Exército na inovação
- Um dos grandes diferenciais citados por Gompers é o papel das Forças de Defesa de Israel (IDF). Mais do que defesa, o exército funciona como uma incubadora de talentos em larga escala. Unidades de elite, como a Unidade 8200 (especializada em inteligência e cibersegurança), treinam jovens em tecnologias de ponta e os colocam para resolver problemas complexos sob pressão.
- Ao saírem do serviço militar, esses jovens levam consigo não apenas o conhecimento técnico, mas uma rede de contatos poderosa e uma mentalidade empreendedora que vai direto para a fundação de novas startups.
Os Desafios para o Futuro
Apesar do sucesso, o professor alerta para “nuvens no horizonte”. O alto custo de vida e a escassez de talentos são desafios reais. Para Gompers, o futuro da inovação em Israel depende da inclusão de comunidades que ainda participam pouco do setor tecnológico, como os ultraortodoxos e a população árabe.
“O capital humano é a chave; se negligenciarmos o talento, o milagre israelense pode estagnar”, afirma o professor, que lidera uma iniciativa em Harvard para conectar empreendedores de todo o Oriente Médio.
Texto original CTECH

Crédito: Foto: Divulgação / Harvard Business School