Cientistas israelenses deram um passo promissor para o futuro da medicina: desenvolveram partículas artificiais inspiradas no leite materno que podem transformar a forma como medicamentos e vacinas são administrados.
Pesquisadores do Technion – Instituto de Tecnologia de Israel, em Haifa, criaram os milkossomos, nanopartículas capazes de atravessar a barreira intestinal e levar medicamentos diretamente à corrente sanguínea. A inovação tem potencial para substituir injeções por tratamentos orais — uma revolução especialmente importante para quem depende de aplicações frequentes, como diabéticos.
🔐 O desafio da barreira intestinal
O intestino humano é protegido por uma barreira altamente seletiva. Ela impede que substâncias potencialmente perigosas entrem no organismo, bloqueando inclusive compostos úteis como insulina e vacinas. No entanto, o leite materno humano consegue atravessar essa barreira com facilidade.
Segundo o doutorando Si Naftaly, que lidera a pesquisa, “se os compostos do leite materno conseguem atravessar essa barreira, isso significa que ele contém ‘chaves’ que permitem que isso aconteça”.
🧪 A tecnologia dos milkossomos
A equipe descobriu que certas proteínas presentes no leite formam uma espécie de “coroa de proteção” ao redor das nanopartículas, ajudando-as a enganar a barreira intestinal. Inspirados nesse mecanismo, os pesquisadores criaram os milkossomos, que simulam os exossomos — partículas naturais do leite responsáveis por fortalecer o sistema imunológico e auxiliar no desenvolvimento infantil.
Nos testes, os milkossomos demonstraram a capacidade de atravessar o intestino carregando moléculas terapêuticas, o que abre portas para tratamentos orais mais eficazes e acessíveis.
💡 Por que isso importa?
- Medicação oral é mais simples, barata e menos invasiva.
- Beneficia pacientes que têm medo de agulhas ou precisam de tratamentos contínuos.
- Facilita a distribuição de vacinas em larga escala, principalmente em regiões com infraestrutura limitada.
🌍 Um fluido poderoso
“O leite materno é um biofluido extraordinário”, explica o Prof. Assistente Assaf Zinger, coautor do estudo. “Para impactar a saúde do bebê, seus compostos precisam atravessar o sistema digestivo e alcançar a corrente sanguínea. Agora, conseguimos replicar esse mecanismo.”
🔗Instituição:
Technion – Israel Institute of Technology