Depois de conquistar o Prêmio Nobel de Química em 2024 com o AlphaFold, o Google DeepMind acaba de dar um passo ainda mais ambicioso. A nova ferramenta da empresa, batizada de AlphaGenome, foi projetada para fazer o que antes parecia impossível: ler e compreender as instruções complexas do genoma humano em uma escala massiva.
Decifrando o “DNA Lixo”
Durante décadas, os cientistas acreditaram que apenas 2% do nosso DNA era relevante (a parte que constrói proteínas). O restante era apelidado de “DNA lixo”. Hoje, sabemos que esse “lixo” é, na verdade, um painel de controle sofisticado que liga e desliga genes.
É aqui que o AlphaGenome brilha. Enquanto modelos anteriores analisavam pequenos trechos de código, a nova IA do Google consegue processar um milhão de letras de DNA por vez. Isso permite que ela identifique “erros de digitação” genéticos que podem causar doenças graves, como a leucemia.
A precisão que parece “mágica”
Em testes práticos com o gene TAL1 (ligado ao câncer no sangue), o AlphaGenome previu com precisão cirúrgica como mutações a milhares de letras de distância poderiam desregular o organismo. Dos 26 testes de predição realizados, a ferramenta igualou ou superou todos os modelos existentes em 25 deles.
Segundo Žiga Avsec, coautora do estudo publicado na revista Nature, a capacidade de resposta do modelo é tão fluida que “às vezes parece mágica”.
O Futuro da Medicina Genética
Embora ainda não seja uma ferramenta de diagnóstico direto para médicos em consultórios, o AlphaGenome foi liberado gratuitamente para a comunidade científica. O objetivo é acelerar a descoberta de terapias para doenças raras e entender como pequenas variações no nosso código fonte nos tornam quem somos.
O Google DeepMind prova, mais uma vez, que a Inteligência Artificial é a bússola que faltava para navegar no vasto e complexo oceano do DNA humano.
“O Google DeepMind continua sendo o braço de inovação mais importante da Alphabet, transformando algoritmos em curas potenciais.”

Crédito: Foto: Olena_T via Getty Images / Divulgação Google DeepMind.
Texto original Smithsonian magazine